Política

Povo de santo vai montar partido político em Lauro de Freitas

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Escrito por NeyBarbosa

Aconteceu na manhã do último sábado (21), a reunião do Partido Popular de Liberdade de Expressão Afro Brasileira – PPLE. Trata-se de uma organização política, constituída majoritariamente, de pessoas adeptas das religiões de matriz africana, que tem, como finalidade, implantar um projeto político de garantia de espaços de poder.


Babalorixa Igor Mascarenhas 

A reunião aconteceu no no Ilê Axé Opô Oyá Soju, casa comandada pelo babalorixá Igor Mascarenhas, qua abriu as portas do terreiro para a primeira reunião do Partido na cidade.

Walter Rui, coordenador estadual do partido na Bahia, explica que não é um projeto hegemônico de poder; “e sim o pedaço que nos cabe por direito”.

Ricardo Andrade, membro da coordenação executiva provisória, destaca a importância sócio, econômica e cultural que o conjunto da população afro-brasileira, inclinada à religiosidade de matriz africana, tem em Lauro de Freitas.

“Somos consumidores, pagadores de impostos. Nós somos a fonte cultural dessa cidade.


Ricardo Andrade 

Nosso legado está presente na música, na culinária, na estética etc. Lauro de Freitas tem uma igreja tombada pelo patrimônio histórico e três terreiros de Candomblé, contudo, essa proporcionalidade não é refletida na distribuição do orçamento, para a realização dos atos culturais da cidade. Nossos eventos nem constam no calendário oficial”.


Walter Rui

O PPLE surge como uma ferramenta de luta, para que o povo de matriz africana possa demarcar seus espaços e afirmar uma identidade política na cidade. É a oportunidade que faltava para que o povo de santo vote em candidato também de santo, numa estrutura partidária comandada por gente de santo.

O espaço conquistado pelas mulheres, no PPLE, não é equiparado a de nenhum outro partido. Rui afirma que, assim como foram as mulheres que implementaram a religião no Brasil, que sejam elas, também, que deliberem e dirijam os espaços de poder de sua gente.

Quando perguntado se a construção de um partido com base religiosa, não seria um contra ponto a laicidade do espaço, Ricardo Andrade, sugeriu que os bispos católicos e pastores evangélicos respondessem primeiro a essa pergunta.

A expectativa é que os diretórios sejam montados em mais 20 municípios da Bahia e até o final do ano o partido seja Homologado e já participe do pleito em 2018.


Fonte: Folha Popular
Por: Ricardo Andrade

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