Questões Raciais

Terreiro repudia ato dos funcionários da SESP, em pleno dia de combate ao racismo

NeyBarbosa
Escrito por NeyBarbosa

O Terreiro Oyá Matamba de Kakurucá repudia o ato dos funcionários da SESP, em pleno dia de combate ao racismo 21/03 e espera que este ato de racismo religioso não fique impune.

Em contato com nossa redação, representante do Terreiro Oyá Matamba de Kakurucá nos enviou relato e ato de repúdio, reproduzidos na íntegra, abaixo, para conhecimento da sociedade laurofreitense, fazendo-a ciente do que acontece em nossas repartições. Confiram:

CARTA DE REPÚDIO

O Terreiro Oyá Matamba de kakurucá, localizado na Travessa Mário Ogando Silva, n°22 – Boca da Mata Portão – Lauro de Freitas, desde o ano de 1960, com a chegada da matriarca, a saudosa Detinha, para o município, sempre vem realizando suas ações religiosas, desenvolvendo ações sociais para a comunidade do seu entorno.

Sendo assim venho, através deste, formalizar com muito dor, o ATO DE REPÚDIO por parte de funcionários da Secretaria Municipal de Serviços Públicos – Sesp, da Prefeitura Municipal de Lauro de Freitas que, através de forma desrespeitosa e discriminatória,  se mostraram, totalmente, intolerantes religiosos.

Enviada a solicitação n°001-2/18, pelo terreiro, à Sesp, referente à limpeza do ambiente e poda de árvores para ação-social, voltadas ao Março Mulher, foi feito um primeiro contato, por telefone, no dia 20/03/2018 às 10h50min, através do número (71) 99182-5218, quando um homem atendeu, afirmando ser funcionário da Sesp e perguntando, de forma grosseira, em alto tom: “onde fica este negócio aí, que você enviou pra Sesp, como faço pra chegar nisso aí? Informei ao mesmo que se tratava de solicitação de limpeza de um terreiro e que o mesmo não era esse negócio ai não.

Outra situação ocorrida foi no dia 21/03/2018, quando um senhor, que também afirma ser funcionário da Sesp, se recusou a entrar até o fim do terreiro, alegando ser da prefeitura e de maneira grosseira disse: “não tenho a obrigação de entrar não e nem de esperar ninguém”. Essa foi a resposta do dito senhor, quando pedi para o mesmo aguardar por eu estar ocupada com funções religiosas.

Questionei a sua postura, enquanto Sesp, para com o terreiro, dele e de mais dois funcionários, que tiraram foto do espaço e que, ao serem por mim indagados, sobre essa postura, o mesmo manda um dos funcionários parar de tirar fotos do espaço e grita: ‘VÁ SENTE E VÁ FAZER SUAS MACUMBINHAS PRA MIM…

Válido lembrar que este terreiro, além de realizar atos religiosos, também realiza ações sócio educativas, para a comunidade local.

O TERREIRO OYA MATAMBA DE KAKURUCÁ REPUDIA O ATO DOS FUNCINARIOS DA SESP EM PLENO DIA DE COMBATE AO RACISMO 21/03.  SOLICITAMOS UMA RESPOSTA POR PARTE DOS GESTORES ATUAIS.

NOTA PÚBLICA

Em meio a repercussão ocorrida ontem, pelo ato discriminatório de funcionários da Sesp, recebi hoje, 22/03/2018, dentro do Terreiro Oyá Matamba de Kakurucá, o Superintendente de Promoção à Igualdade Racial, Sr. Paulo Aquino, ao qual conduziu a Sra. Thiffany Odara, com bastante eficiência, até o secretário da Sesp, o Sr. Renatinho e diretor de limpeza urbana, Sr. Fernando, onde através de uma longa conversa pela manhã, foi salientado o pedido de desculpas pela Sesp e registrada a ocorrência, onde os sujeitos da Sesp, envolvidos, irão responder por processo administrativo e, a pedido da senhora Thiffany, onde a mesma solicita que todas e todos funcionários passem por uma ação sócio educativa, voltada para relações étnicos/raciais e de Cidadania.

Com isso, foi também apresentada, pela Sesp, uma intervenção de requalificação do solo (jardim das folhas sagradas das religiões de matriz africana), para o terreiro, por conta de obras inacabadas, iniciadas pela Seinfra, matando diversas plantas sagradas e desalinhado o solo sagrado do terreiro. Tal solicitação já foi feita pelo terreiro no ano de 2010, não havendo nenhuma resposta da Seinfra/Prefeitura, até o momento. A mesma também se disponibiliza, mais uma vez, a colaborar com as ações do terreiro e acompanhar mais de perto os seus funcionários, dentro de espaços ligados às religiões de matriz africana, para que atos, como esse, não aconteça, não se repitam.. 

COM ISSO, PERCEBEMOS QUE O RACISMO RELIGIOSO NOS ATACA DE DIVERSAS FORMAS, SEJA VELADO E TENDENCIOSO OU EXPLÍCITO, UMA VEZ QUE ELE É ESTRUTURAL. E, COM ISSO, O DEBATE DE COMBATE AO MESMO NÃO PODE ACABAR OU SER PASSIVO E SIM APROPRIADO DE MECANISMO PARA O COMBATE DO MESMO, ATRAVÉS DA CORAGEM DE DENUNCIAR E ENFRENTAR, NÃO SILENCIANDO ESTES ATOS RIDÍCULOS. SENDO ASSIM, A LUTA NÃO ACABOU!!!

TERREIRO OYÁ MATAMBA DE KAKURUCÁ

O Portal de Lauro se coloca diante da situação, como veículo de divulgação, deixando aberto o espaço para resposta das secretarias envolvidas na mesma.


Fonte: Terreiro Oyá Matamba de Kakurucá
Por: Thiffany Odara – Pedagoga – Pesquisadora da Área de Gênero, Sexualidade, Raça e Etnia

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