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Francisco Pereira Coutinho

Francisco Pereira Coutinho, donatário da Bahia, era filho de Afonso Pereira, alcaide-mor da cidade de Santarém e de uma filha do conde de Marialva, da primeira nobreza lusitana. Como todo fidalgo de sua estirpe, “filho de casal tão ilustre”, ele partira jovem para a Índia, alistando-se, em 1509, na frota que zarpou de Lisboa sob o comando do marechal Fernando Coutinho (de quem não era parente). Daquela mesma esquadra, também fazia parte o futuro donatário de Pernambuco, Duarte Coelho.

Logo que chegou à Índia, Pereira participou da desastrada tomada de Calicute, durante a qual o marechal Coutinho foi morto. Ao longo dos quase quatro anos durante os quais permaneceu no Oriente, Pereira serviu sob as ordens de Afonso de Albuquerque e tomou parte da conquista de Goa onde Pereira revelou “certa rudeza no trato dos negócios” – circunstância que lhe valeria o apelido de “Rusticão”, que ele carregou pelo resto da vida. Após ocupar o cargo de capitão de Cochin, durante o vice-reinado de D. Francisco de Almeida e de ter servido na armada lusa estacionada em Ormuz para patrulhar o Golfo Pérsico, Pereira retornou para Lisboa por volta de 1511.

Em abril de 1514, partiu novamente para a Índia, na frota de cinco naus comandada por Cristóvão de Brito, com quem teve sérios desentendimentos e pelo qual foi acusado de naufrágio de um dos navios. Conforme uma carta que o indignado comandante escreveu para o rei D. Manuel em 9 de novembro de 1514, Pereira julgou ter visto terra onde havia apenas um cardume de lobos marinhos.

Deve ter sido por conta deste grave equívoco que Pereira permaneceu tão pouco tempo no Oriente já que, um mês após a sua chegada, foi mandado de volta para Lisboa, comandando a nau N. Sra. da Ajuda. Esta viagem se tornaria célebre, porque nela foram levados para Portugal um elefante e um rinoceronte – dados de presente para o rei D. Manuel por Muzafar, rei de Cambaia.


Texto por: Eduardo Bueno

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