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Tina Tude

Ipitanga: a real identidade ancestral de Lauro de Freitas

NeyBarbosa
Escrito por NeyBarbosa

No atual panorama político-social no Brasil, é preciso cautela ao interpretar de forma crítica, emancipatória e decolonial as manifestações hegemônicas sobre referências civilizatórias. Assim, ocorre uma reflexão sobre a incauta intenção de renomear o município de Lauro de Freitas como Santo Amaro de Ipitanga.

Convém observar a historicidade local e perceber onde se confunde a divisão de estado e igreja, do território ancestral de Ipitanga (da ocupação dos povos originários, início da civilização local), do distrito (divisão socio-política-territorial e administrativa de estado) e a Freguesia de Santo Amaro de Ipitanga (uma divisão administrativa da igreja, estabelecida no território ancestral, cujo nome ainda se confunde no imaginário popular como a origem da civilização local, flagrando na contemporaneidade os vestígios de um pensamento colonial a ser superado).

A falta de domínio ou mero conhecimento de conceitos e categorias, como ancestralidade, estado e igreja; território ancestral, distrito e freguesia, leva o povo a pensar que o nome Santo Amaro de Ipitanga se referia originalmente à localidade, quando, na verdade, só passou a ser empregado com a chegada dos Jesuítas e para designar a freguesia. O nome original do território, que mais tarde se constitui como distrito, era apenas IPITANGA, nome dado desde os ancestrais tupinambá e que, após a emancipação, virou Lauro de Freitas.

A freguesia foi denominada Santo Amaro DE Ipitanga, por estar situada no local chamado, originalmente, Ipitanga. Se estivesse num local chamado Itapuã, seria Santo Amaro de Itapuã etc., ou seja, o próprio nome da freguesia nos dá indicativos do nome ancestral e original do local. Contudo, dada sua legítima representatividade naquele período histórico, o senso comum convencionou chamar a localidade pelo nome atribuído pela igreja, sendo preciso admitir que havia um território ancestral de Ipitanga, denominado pelos povos inaugurais, a ser reverenciado, reconhecido. De modo que não se pode, então, requerer retomar o nome Santo Amaro de Ipitanga como nome original, afinal, o nome original é o ancestral Tupinambá, Y-Pitanga.

Mudar o nome de Lauro de Freitas não só não resolveria a nossa controversa condição identitária, quanto repetiria o equívoco dos emancipadores, ao apagar nossa referência ancestral. Mudar novamente, agora, ocasionaria novo e desnecessario distúrbio na percepção de identidade desse povo cuja memória já fora antes violada.

É mais efetivo, portanto, que façamos, pois, uma revisão historiográfica profunda, investindo em educaçao patrimonial para reparação e reverência a nossa real origem, a exemplo do sábio Papa Francisco, que, oportunamente, em arguta percepção decolonial, declarou reconhecer que a Igreja deve uma retratação histórica com a memória dos povos originários na América Latina, pelo silenciamento de suas pertenças civilizatórias. É chegado o tempo de reverenciar nosso nome ancestral de Ipitanga.

Sobre o autor

NeyBarbosa

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