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Lixeiras de Coletiva Seletiva – O que significa cada cor?

Escrito por Ray Casales

Vamos conhecer as cores das lixeiras, para coleta seletiva e a finalidade de cada uma?

Mãos à obra no processo de reciclagem

Quantas vezes já passamos por lixeiras de coleta seletiva e percebemos que não sabemos a finalidade de cada cor? Geralmente, vemos quatro: azul, para papel; vermelho, para plástico; verde, para vidro e amarelo, para metal.

Mas você sabia que na realidade, são dez as cores da reciclagem? É isso mesmo, dez cores, uma para cada tipo de material a ser reciclado, ou não. Mas delas, falarei mais adiante. Antes, torna-se necessário reforçar a importância de se reciclar o lixo, de dar a ele, a destinação que merece, afinal, muito do lixo que tanto desprezamos, pode, até mesmo, virar luxo. Assim, cada um de nós pode e deve contribuir para fazer do mundo, um lugar mais limpo, renovável e sustentável. Afinal, você não vai querer deixar, para as futuras gerações, um mundo poluído, sujo e quem sabe, até intransitável e irrespirável.

Assim, o objetivo maior das lixeiras de coleta seletiva, é recolher e aproveitar os resíduos, reciclando-os (transformando-os) em novos objetos. Sempre há algo no que transformar, aquilo a que chamamos de lixo.

Assim, quando os resíduos são colocados na lixeira correta, este material coletado é recolhido pelas cooperativas, para separação e reaproveitamento.

Então, vamos conhecer as cores das lixeiras e suas respectivas finalidades?

Papéis diversos, inclusive, papelão.

Garrafas pet, demais material plástico e isopor.

Material mais perigoso e cortante. Como os garis, são orientados no sentido de que, em lixeira de cor verde, existe este tipo de material, eles ficarão alertas no momento do manuseio do mesmo.
Observação: no caso de você não dispor de uma lixeira ou uma embalagem segura, pega uma garrafa PET, corte-a e ponha o material cortante e/ou perfurante dentro. Se tiver uma fita adesiva, cole o local cortado fechando-a e, só assim, deposite no lixo. Como garrafas PET são transparentes, fica fácil a visualização do conteúdo dentro delas. Outra sugestão, é em relação às facas e estiletes com as lâminas ou simplesmente as lâminas. Dobre as facas e quebre as lâminas dos estiletes, evite acidentes.

Latinhas de cerveja e refrigerante. De preferência, amasse-as antes de jogar fora, isso diminui o volume e facilita o transporte. Cuidado ao manusear as latas, elas podem causar cortes, evite acidentes. Resíduos orgânicos, de origem animal e/ou vegetal.Não utilizada em residências, mas muito comum em hospitais, servem para a coleta de resíduos ambulatoriais e de serviços de saúde. Mas, por quê não termos o cuidado de isolar, em embalagem segura, os restos de curativos que fazemos em casa? Assim, coloque algodão, esparadrapos e material do tipo, também numa garrafa PET. Todo mundo tem uma em casa, na vizinha, na lanchonete ao lado de casa… Aqui, você deposita resíduos contaminados, os que são impossíveis de serem separados, os não recicláveis, como por exemplo, restos de alimento. Quase não vemos esta cor de lixeira, ela é muito pouco utilizada, mas serve para coletar materiais classificados como perigosos, tais como, pilhas e baterias.

Madeira, compensados, MDF.

Nesta, são depositados resíduos radioativos. E, para este item, são imprescindíveis algumas informações, que muitos sabem, alguns não e outros esqueceram.

Em setembro de 1987, houve em Goiânia, capital do Estado de Goiás, um acidente com o Césio-137 (137Cs). Isso aconteceu, porque catadores de sucata encontraram um aparelho de radioterapia abandonado, onde funcionava o Instituto Goiano de Radioterapia e o venderam a um ferro velho, onde o dono o desmontou. Este aparelho continha cloreto de césio, composto químico de alta solubilidade. Um isótopo radioativo, artificial, resultante da fissão de urânio ou plutônio, usado em equipamentos de radiografia e que tem meia-vida física de cerca de 33 anos, ou seja, o tempo em que vai ocorrer a redução da metade da sua massa radioativa. Parece simples, não? O problema é que, quando este isótopo é desintegrado e dá origem ao Bário 137m, passa a emitir radiações gama, que são uma forma de radiação eletromagnética ionizante e torna-se nociva à saúde pelo alto poder de penetração. Assim, por sua enorme energia, os raios gama podem extrair elétrons de diversos materiais e causar danos às moléculas de DNA dos seres vivos. Trágico, não?

Este acidente envolveu centenas de pessoas, que apresentaram sintomas, logo após entrarem em contato com um pó azul brilhante (fragmentos de 137Cs), que saiu do aparelho e foi levado para a casa de várias pessoas, causando, poucas semanas depois, a morte de 4 delas, inclusive a de uma menina de apenas 6 anos. Posteriormente, mais pessoas morreram, vítimas da contaminação com o material radioativo e aproximadamente 1.600 pessoas, expostas à contaminação, apresentam, ainda hoje, 34 anos após a maior tragédia radiológica do mundo, alguns sintomas psicológicos, desde a incapacidade de dormir à dificuldade de concentração e isolamento social, além das queimaduras, lesões na pele, câncer e outras mazelas. A situação foi e é, tão drástica, que as peças do aparelho ficarão enterradas por 600 anos, na cidade de Abadia de Goiás. Lembrei-me de Chernobyl, tudo isso poderia ter sido evitado.

Óbvio, que na questão das lixeiras, não temos que ter as dez, no nosso quintal, e não teremos lixo radioativo para descartar, afinal, as básicas são quatro e podem ser feitas do mais variado material: baldes de manteiga ou margarina, caixas de papelão que pegamos no supermercado, enfim, uma infinidade de material que, ou não gera custo ou tem custo quase zero.

Texto extenso, reconheço, mas é necessário que cada um de nós, tenhamos consciência e façamos a nossa parte. Afinal, se os personagens desta tragédia fossem orientados desde sempre, no sentido de entenderem o que são resíduos e suas características, perigosas ou não, insalubres ou não, recicláveis ou não e, se houvesse consciência e responsabilidade, nas pessoas que abandonaram este aparelho, no Instituto Goiano de Radioterapia, pois conhecimento do perigo eles detinham, tal tragédia jamais teria ocorrido.

Vamos fazer limpeza nas praias, recolher material descartável e tantas outras ações, tudo isso é fantástico, mas vamos, de forma sistemática, rotineira, orientar as pessoas, para que estes atos sejam constantes e diários, para que as praias não estejam sujas no dia seguinte à ação, as garrafas PET e latinhas de cerveja, bitucas de cigarro e outros dejetos, não estejam “enfeitando” o espaço que em breve, se não acordarmos, vai se tornar impraticável de desfrutar. Agindo assim, ações eventuais talvez nem sejam mais necessárias, pois já teremos incorporado, bons hábitos, ao nosso cotidiano.

Vamos lutar, todos juntos, em prol de um mundo que não é de nossa propriedade, ele apenas nos foi emprestado, cuidemos dele então e o tornemos melhor, para as próximas gerações. Que a Semana do Lixo Zero, seja uma unidade, todos lutando por um único objetivo, pois tudo passa pela Educação. Vamos nos educar e praticar as benesses que ela nos proporciona. A natureza lhe devolve, tudo o que você a ela envia. É a Lei do Retorno: a gente colhe, aquilo que planta. “Na vida o plantio é opcional, porém, a colheita é obrigatória.”


Ray Casales
Corretora e Avaliadora de Imóveis
Artesã
Certificada em Educação Ambiental, pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – Departamento Regional do Espírito Santo – SENAI-DR/ES

 

Sobre o autor

Ray Casales

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