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Armando Correa

Qual é o Nosso Valor?

A partir do conhecimento ou do bom senso pode-se compreender como as pessoas arquitetam os valores pelos quais serão cobrados os seus serviços. A vida profissional requer que os valores estejam bem definidos e que sejam condizentes com o que se propõem.

Conforme o dicionário, valor quer dizer: valentia, qualidade que faz estimável alguém ou algo; valia, importância de determinada coisa; preço, legitimidade, validade. E ainda, valorizar, significa: dar valor a, ou aumentar o valor de, reconhecer as qualidades, os méritos de (pessoa, ação, coisa, etc), agir em respeito, e exigir respeito, ao seu valor como pessoa; dar-se valor. Valia, importância, reconhecer as qualidades e os méritos etc, são o suficiente para se formar um valor que deverá ser cobrado em troca de um trabalho que se oferece em troca?

Na maior parte das vezes não. O que ocorre é uma prática de equiparação mercadológica. Procura-se conhecer o valor mais baixo, o mais alto e a média, para que sirva de referência, e então, assim se procede: copiando. Para muitas pessoas estes valores já definidos não alcançam o que elas entendem sobre o valor do que é oferecido. Por esta razão, algumas buscam mais, crescendo dentro das organizações a qual pertencem e obtêm maiores compensações financeiras, ou se projetam no mercado por conta, abrindo as suas próprias empresas. E há, ainda, os profissionais liberais (médicos, advogados, psicólogos etc), que seguem alguns valores estipulados pelas suas entidades de classe (conselhos, sindicatos etc) e outros que adquirem um status de fama e reconhecimento (credibilidade) e, portanto, determinam os aumentos de valor a ser cobrado de seus pacientes ou clientes. Assim funciona a formação de valor, via de regra. Tais fatores são compatíveis com o que realmente vale um profissional? Levando-se em conta a sua formação, dedicação, aperfeiçoamento constante, grau de conhecimento e inteligência desenvolvidos.

Também não, na maioria dos casos. Sabe-se que há uma auto-regulação de mercado quanto aos preços que são cobrados, e a política de formação de preços pode variar conforme descrito anteriormente. Não obstante, existe outro fator presente neste cenário acerca dos valores: a percepção interna humana sobre o próprio valor, e que apesar de compreender a auto-regulação mercadológica dos preços, é capaz de cobrar mais ou menos.

René Descartes (1596-1650) descreve sobre estimar ou desprezar a nós mesmos em seus artigos 151 e 152 de As paixões da alma: “De uma maneira geral, a estima e o desprezo podem dizer respeito a todas as espécies de objetos; mas são dignas de nota quando a aplicamos em nós mesmos, ou seja, quando é nosso próprio mérito que estimamos ou desprezamos”. “Percebo em nós somente uma coisa que possa nos fornecer a justa razão de nos estimarmos, que é a utilização de nosso livre-arbítrio e o domínio que possuímos sobre as nossas vontades; pois é apenas pelas ações que dependem desse livre-arbítrio que podemos com razão ser elogiados ou reprovados”.

Faz-se necessário levar em conta o psiquismo humano. O fato de que os modelos internos ou as idéias que temos sobre si mesmos, desde a infância não são imutáveis. Todavia, eles tendem a ser levados adiante, modelando e definindo as nossas experiências enquanto adultos. Destes valores, pode-se obter a auto-estima, que é o sentimento de importância, valor e apreço sobre si mesmo. Vários itens podem colaborar na formação do autoconceito que é construído com o passar dos anos, desde a infância, tal como a discrepância entre o que a criança gostaria de ser (ou que crê que deveria ser) e aquilo que ela pensa ser. Por exemplo, se a discrepância é alta e a criança se vê como um fracasso, a auto-estima será baixa. Outra questão e a sensação geral de apoio que a criança percebe das pessoas que são importantes para ela, como os pais. Se gostam dela como ela é de fato, a tendência é a de apresentar resultados mais elevados de auto-estima.

Então, relaciona-se valores a auto-estima e ao domínio sobre nós mesmos. Um bom autoconceito acerca de si próprio é capaz de propiciar um bom valor a ser cobrado mediante algum serviço oferecido. Contudo, deve ser bem administrado, através do bom senso, em face de necessidade de controle sobre os exageros a que se está sujeito. Ou seja, somos livres para cobrar qualquer valor, porém, a autovalorização e a auto-regulação de mercado merecem ser tratadas com equilíbrio. Do contrário, corre-se o risco de os méritos serem interpretados de forma negativa pelo demérito ou abuso, e, conseqüentemente, dificultar os negócios em virtude da redução de pacientes ou clientes.

O nosso valor, portanto, diz respeito a aceitação de si mesmo, o autoconceito mais real possível, capacidades disponíveis e em desenvolvimento a serem empregadas na solução de problemas ao qual nos prontificamos a resolver, avaliação sobre os valores que o mercado paga, com foco na própria área de atuação, liberdade e controle sobre as ações que temos (formação de preço equilibrada). Estes fatores devem estar presentes quando formamos os valores sobre o que cobraremos por algum trabalho que se ofereça para outra pessoa. O nosso valor está relacionado às questões externas (mercado) e internas, principalmente (autoconhecimento e auto-estima). As pessoas compreendem e pagam por um serviço bem realizado, cujo preço demonstra ser justo. O nosso valor é resultado da dedicação, avaliação e ação do quanto cobramos e ficamos satisfeitos com isso. Valorize-se!

Sobre o autor

Armando Correa de Siqueira Neto

Armando Correa de Siqueira Neto

Armando Correa de Siqueira Neto
CRP 06/69637
Psicólogo, consultor, conferencista e escritor.
Professor de Gestão de RH da Faculdade de Administração de Limeira/SP.
Professor de Pedagogia Empresarial pela Faculdade Maria Imaculada de Mogi Guaçu/SP
Mestrando em Liderança pela Unisa Business School.
e-Mail:
Colaborador do Jornal Portal de Lauro

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