Armando Correa

Quinhentas Razões para se Atender Bem

Imagine se há séculos já existisse algum documento que estabelecesse a forma de relacionamento entre o consumidor e o comerciante? Pois é, ele existe! É incrível ler este texto português, cuja finalidade é a de criar o procedimento mais adequado na hora de se tratar o cliente.

Eis alguns trechos do capítulo 59 – Que sejam bem trautados os mercadores, do “Regimento das Casas das Índias”, datado de 1509: “Hûa das principais couzas em que conciste nosso serviço hé que os mercadores y pessoas que trautam em nossas Caazas y em especial na Caza da India sejam favorecidos em seus negocios, bem ouvidos, respondidos, y despachados de todos nossos officiaes y de modo que sempre possam hir contentes…” E ainda: “…y que sempre os mercadores y pessoas que nas dittas caazas trautarem y negocearem louvem o modo de que sam trautados y se nam escandalizem de couza algûa, porque conciste nisto muyto nosso serviço…”

Há quinhentos anos já existia a preocupação relacionada à forma de se atender o cliente. O seu registro chegou até a contemporaneidade, levando-nos a refletir sobre a questão e modificar certas idéias e comportamentos. Embora atualmente sejamos ricos em tecnologia para o atendimento, por meio de computadores e softwares que agilizam a emissão de pedidos e de nota fiscal, equipamentos de crédito e débito simultâneo com as agências bancárias, somos miseravelmente pobres quanto ao atendimento humano voltado para os clientes. Com facilidade se vê atendentes rudes e com má vontade para executar a sua profissão. Alguns vendedores chegam a suscitar o mal-estar nos consumidores, ao assumir uma postura arrogante e de pouca simpatia. Há ocasiões em que o cliente sente que está atrapalhando, e em alguns casos pede desculpa por tomar o tempo de quem lhe atendeu. A inversão dos papéis ilustra bem estas situações. Todavia, devemos lembrar e, com o máximo rigor, que o consumidor é quem alimenta o comércio. Os cuidados para com o atendimento devem ser minuciosos, elevando, portanto, o cliente ao grau de pessoa bem quista e de real importância, a qualquer hora.

Será que levaremos mais cinco séculos para aprender esta lição fundamental? Devemos considerar o exemplo do Regimento das Casas das Índias que, apesar de muito antigo, o seu propósito é atual e necessário. Cada ano deste regulamento deveria se converter numa razão para o bom atendimento: quase quinhentos motivos. No entanto, precisamos de poucas atitudes favoráveis para atender bem o consumidor. Você seria capaz de enumerar algumas? E mais do que isso: praticá-las?

Sobre o autor

Armando Correa de Siqueira Neto

Armando Correa de Siqueira Neto

Armando Correa de Siqueira Neto
CRP 06/69637
Psicólogo, consultor, conferencista e escritor.
Professor de Gestão de RH da Faculdade de Administração de Limeira/SP.
Professor de Pedagogia Empresarial pela Faculdade Maria Imaculada de Mogi Guaçu/SP
Mestrando em Liderança pela Unisa Business School.
e-Mail:
Colaborador do Jornal Portal de Lauro

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