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Histórias Que a Bahia Conta

Uma data que não pode passar esquecida

NeyBarbosa
Escrito por NeyBarbosa

Karl Heinz Hansen, nasceu em 19 de Abril de 1915, em Hamburgo Alemanha Ocidental

Depois de uma temporada em São Paulo, na década de 50, resolve conhecer a Bahia em 1955 com 37 anos. Vivendo intensamente o Pelourinho, Salvador, sentido de perto a intimidade das prostitutas que ali viviam para retrata -las nas suas matrizes. Retratando seus problemas suas dificuldades, sua miséria.
No ano de 1957, dois anos depois de sua chegada a Bahia, a livraria Progresso Editora, lança seu livro ” Flor de São Miguel ” dedicado ao Bar de mesmo nome que frequentava.

A apresentação é de Jorge Amado e diz o seguinte: “O alemão Hansen, agora na família dos quase-baianos, família grande, de muita gente, e de muita Boa gente. Esse alemão recriou a Bahia. Não sei se toda a Bahia, não conheço a obra inteira que a Cidade lhe inspirou só levei meus olhos numas quantas gravuras, e sei que ele foi ao fundo dos dramas da gente e do povo e com uma força comovida os recriou: as mulheres negras nas ruas perdidas não são para Hansen o pitoresco da miséria, são em meio a beleza, a miséria que é necessário acabar para que a beleza resplandeça completa e pura. Meus olhos descansam nessas fachadas dos casarões, nessas escadas subindo ou descendo para o mistério.

Hansen me trouxe a Bahia no que ela tem de mais triste, de mais permanente e eterno e no que ela tem de mais desgraçado. Voltei a minha cidade inesquecível, a cidade de minha saudade, aquela onde quero viver e morrer. Voltei – vejam bem: – PELA MÃO DE UM HOMEM VINDO DA EUROPA, um alemão de Hamburgo e isso explica a Bahia melhor que qualquer outra coisa, sua sedução, seu poder de dominar. “De qualquer, NÓS QUE SOMOS BAIANOS E SOMOS A BAHIA, que a trazemos conosco em nosso coração, temos que SER GRATO A ESSE ARTISTA ‘ tão cheio de calor humano, dono completo de seu metier de gravador, mestre a dominar a madeira, material difícil, mestre a dominar a Bahia, assunto tão mais difícil, porque aparentemente fácil, agradecer–lhe porque ele aumentou, – com sua arte, a grandeza da cidade”.

Já nesta época Jorge Amado reconhece de logo o valor de Hansen para a Bahia. Não demorou muito, veio outro livro ” Ladeira da misericordia”, outros como ” Santa Bahia”, “Portas e Janelas”, ” Via Crucis no Pelourinho “, ” Ulisses Checando a Bahia “, etc….!

Hansen participava de todas as manifestações culturais da Bahia,  fazendo parte ativamente e levando a todos os continentes, a arte do povo da Bahia.

  • Karl Heinz Hansen, nascido em 19 de abril de 1915 em Hamburgo, Alemanha Ocidental.
  • Foi marinheiro, escultor, poeta, escritor, cineasta, pintor e xilogravo o qual se dedicou profundamente.
  • Chegou ao Brasil em 1950 em São Paulo.
  • Em 1955, sai de São Paulo e vem conhecer a Bahia.
  • Em 1957 lança seu livro ” Flor de São Miguel ” com apresentação de Jorge Amado, seu amigo, pela livraria progresso editora.
  • Depois de 10 anos vividos na Bahia, em 1962, voltou a Alemanha e organizou um ateliê em Tittnoning no Castelo de caça dos arcebispos de Salzburgo, construído em 1234.
  • Em 1963 Hansen é professor no Fine Arts Scool, em ADDIS ABEBA na Etiópia.
  • Em 1965, retorna a Bahia, trazendo sua aluna, Ilse que era completamente apaixonado. Vai morar em piatã.
  • Em 1966, entra na UFBA, escola de belas artes como professor de xilogravura, saindo em 1974.
  • Em 1975, descobre Cachoeira e São Félix, levado por sua ex aluna, Noelice Costa Pinto e José Mário Peixoto Costa Pinto Pinto.
  • Em 19 de abril de 1976, dia do seu aniversário, no Touring Club de Brasília, Hansen faz doação de toda sua obra e patrimônio para as autoridades federais olhassem para Cachoeira que tanto precisava ser sorerguida.
  • Em 31 de julho de 1976, foi constituída a Fundação Hansen Bahia, durante o encerramento do I Festival de inverno da Cachoeira.
  • Em 19 de abril de 1977, foi inaugurado o Museu Hansen Bahia. No 30 de maio do mesmo ano, parte Hansen Bahia para São Paulo, e em 13 de junho é operado. E no dia 14 de junho morre de edema pulmonar, uremia – câncer de bexiga, às 16h.
  • Dia 15 de junho, Hansen é cremado.

Me despeço reportando ao caderno verdade da professora Noelice Costa Pinto. ” A via Crucis de Hansen Bahia, a luta por ideais e objetivos”. – Abro aspas para bilieite de escritor Jorge Amado. ” Hansen Bahia já foi da Alemanha e da Etiópia. Mas seu chão é o Pelourinho, sua casa o Bar Flor de São Miguel, seu povo as prostitutas, os trabalhadores, a gente pobre da cidade. Mestre reconhecido na Europa e na América, é um baiano feliz, forte como um cavalo, puro como um passarinho e somou à sua grandeza a terna criacao6de Ilse, sua mulher “.

Jorge Amado – New York, sept. 1971.

Pelo carinho e memória dos Hansens, por representar a primeira diretora idealizadora, junto com o artista, e testamenteira, Noelice Costa Pinto, Hansen Bahia, Presente!

Rio de Janeiro, 18 de Abril de 2021
Fábio Costa Pinto
Conselheiro Nato
Fundação Hansen Bahia.


A Fundação Hansen Bahia

Entidade cultural, pessoa jurídica de direito privado e patrimônio próprio nos termos da lei Civil, sem fins lucrativos e reconhecida de utilidade pública pela Câmara Municipal da Cachoeira, em 27 de outubro de 1981, cujo projeto de lei tem n° 03/81. Era a integração com a comunidade do recôncavo .

O maior objetivo desta obra, principais e genéricos são:

  • incentivar as belas artes, especialmente a xilogravura;
  • descobrir talentos;
  • incentivar a atualização do nosso potencial criativo;
  • preservar e defender os bens culturais, constituídos das tradições, costumes, criações artísticas e literárias;
  • realizações técnicas e científicas;
  • divulgar as manifestações de criatividades, estimulando a criação e o fomento através de instrumentos materiais;
  • desenvolver, com a colaboração dos órgãos educacionais, a educação cultural dos municípios e nas circunvizinhas, aumentando o gosto pelas artes;
  • criar cursos de extensão e promover cursos de curta duração;
  • fazer convênios com órgãos oficiais e privados, para fomentar, na juventude, o gosto pelas artes e servir, na medida do possível, para o aumento da renda per-capta da população de Cachoeira, através do estímulo ao reconhecimento e divulgação cultural, incentivado pelo Turismo Cultural, a educação e os fins sociais em benefícios da população pobre.

Aperfeiçoar o homem através da arte e da cultura, sempre foi um dos propósitos da Fundação Hansen Bahia, a parte educacional e social é sempre importante.

Sobre o autor

NeyBarbosa

NeyBarbosa

Jornalista RPJ/DRT n.° 0006098
(71) 98423-7270
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https://orcid.org/0000-0002-6389-2953
http://lattes.cnpq.br/8038182463254486
https://chat.whatsapp.com/COsCMosyva1JABdeM0veKc
https://t.me/mundojornalismo
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"Não deixe as coisas que você não pode fazer, impedí-lo(a) de fazer as coisas que você pode!"
(John Wooden)

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