Minicurso reforça a importância da conservação preventiva e indica o romance As memórias do livro como reflexão sobre memória e identidade cultural
O Centro Pró-Memória Hans Nobiling promoveu, na tarde da última segunda-feira (8), o minicurso teórico “Conservação Preventiva em Acervos Bibliográficos e Documentais”, reunindo associados e interessados em aprofundar seus conhecimentos sobre a preservação do patrimônio histórico e documental.
A atividade foi conduzida pela conservadora-restauradora Roseli Klapp Zimmermann, que apresentou conceitos fundamentais da área de conservação e restauração de acervos. Durante sua exposição, destacou que “conservar para não ser necessário restaurar” é um princípio essencial para garantir a longevidade das obras.
Entre os temas abordados, estiveram os objetivos da restauração de documentos e livros, ressaltando a importância de ações que prolonguem sua vida útil. Roseli também explicou as diferenças entre conceitos amplamente utilizados no campo da preservação patrimonial, como conservação preventiva, conservação, restauração e preservação. Ela enfatizou que “o bom envelhecimento faz parte da obra, é um fator característico da passagem do tempo, que imprime caráter e personalidade”.
Os participantes refletiram sobre o valor artístico, histórico, afetivo e cultural dos acervos, reforçado pela fala da palestrante: “é necessário preservar para manter o valor artístico, histórico, afetivo e cultural”. Além disso, destacou-se o papel do registro documental, pois “o registro faz com que nossa identidade tenha valor e seja contada para as pessoas que veem depois de nós”. Como concluiu Roseli, “o reconhecimento é o que agrega valor à obra”.
A iniciativa integra as ações do Centro Pró-Memória voltadas à valorização, proteção e difusão do patrimônio histórico, proporcionando aos presentes contato com conhecimentos técnicos e reflexões sobre a importância da salvaguarda de acervos documentais e bibliográficos.
Recomendação de leitura da palestrante sobre o tema: As memórias do livro de Geraldine Brooks
Geraldine Brooks oferece um romance complexo e ambicioso, estruturalmente rico e de grande intensidade emocional, que arrasta seus leitores por uma aventura que vai da Espanha às ruínas de Sarajevo, de Veneza às rochas ancestrais do norte da Austrália.
Em 1996, a protagonista Hanna Heath, conservadora de livros raros, recebe o sonho de sua vida: analisar e conservar um misterioso códice hebraico do século XV, magnificamente iluminado e salvo da destruição durante o bombardeio das bibliotecas de Sarajevo. Ao descobrir pequenos artefatos escondidos na encadernação, um fragmento de asa de inseto, manchas de vinho, pedras de sal, um cabelo branco, Hanna começa a desvendar os mistérios do passado e as histórias dramáticas daqueles que criaram e protegeram o manuscrito ao longo dos séculos.
Inspirado em uma história verídica, o romance combina vozes inesquecíveis do passado com a perspectiva contemporânea de Hanna, tornando-se uma leitura compulsiva que transcende os limites da ficção histórica. Brooks imprime à obra todas as qualidades que a levaram a conquistar o Prêmio Pulitzer, transformando-a em uma narrativa que dialoga diretamente com os temas discutidos no minicurso: memória, preservação e identidade cultural.
Assim como ressaltou Roseli Klapp Zimmermann, “o bom envelhecimento faz parte da obra” e “o registro faz com que nossa identidade tenha valor”, o romance mostra, de forma literária e emocionante, como cada marca do tempo carrega significado e como a preservação é essencial para que histórias sobrevivam e continuem a ser contadas.