Migrantes encontram acolhimento e oportunidades na Capital  – CGNotícias

Campo Grande tem se consolidado como uma cidade de acolhimento para imigrantes internacionais e refugiados que chegam em busca de novas oportunidades, segurança e qualidade de vida. Mais do que um ponto de passagem, a Capital sul-mato-grossense vem estruturando políticas públicas que garantem acesso a direitos, inclusão social e oportunidades para que essas pessoas reconstruam suas trajetórias com dignidade.

O crescimento da população migrante também se reflete na procura pelos serviços públicos municipais. Somente em 2025, a rede de assistência social realizou 5.569 atendimentos voltados a migrantes internacionais por meio do Serviço Especializado de Assistência Social (Seas), das unidades de acolhimento institucional para adultos e famílias e das casas de passagem conveniadas.

De acordo com a superintendente de Direitos Humanos da Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (SAS), Priscila Justi, Campo Grande avançou significativamente na organização de políticas voltadas para esse público.

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“Hoje o município não é apenas uma rota de passagem. Temos uma população migrante que escolhe permanecer em Campo Grande e construir sua vida aqui. Por isso, trabalhamos para garantir acolhimento, acesso aos serviços públicos e oportunidades de integração social”, destaca.

Os estudos que subsidiaram a criação do Plano Municipal de Promoção, Proteção e Apoio aos Migrantes Internacionais e Refugiados apontam que cerca de 3.804 migrantes internacionais vivem na Capital há mais de dois anos. Entre eles, os venezuelanos representam historicamente um dos maiores grupos atendidos pela rede municipal.

Acolhimento humanizado desde a chegada

Ao chegar à cidade, muitas famílias enfrentam desafios relacionados à documentação, moradia, emprego, acesso à saúde, educação e adaptação cultural. Para atender essas demandas, a Prefeitura mantém uma rede integrada de atendimento que começa com uma escuta qualificada realizada pelas equipes da assistência social.

Dependendo da situação apresentada, os migrantes podem ser atendidos pelo Seas Rodoviária, quando estão em trânsito, pelo Centro POP, nos casos de pessoas em situação de rua, pelos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas), ou ainda encaminhados para unidades de acolhimento institucional e casas de passagem quando necessitam de proteção temporária.

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Nesses espaços, as famílias encontram estrutura para recomeçar. Os acolhidos recebem quartos organizados, roupas de cama limpas e local adequado para guardar seus pertences. Mulheres acompanhadas dos filhos permanecem nos alojamentos femininos, enquanto homens e pais solteiros são direcionados aos alojamentos masculinos. As unidades também oferecem alimentação, acompanhamento social e encaminhamentos para os demais serviços públicos.

Para ampliar ainda mais esse suporte, o município está implantando o Centro de Referência em Direitos Humanos para Migrantes, Refugiados e Apátridas (Cemigra), que será a porta de entrada especializada para essa população, oferecendo orientação, acolhimento e articulação com toda a rede de proteção.

Recomeço com apoio e novas oportunidades

Entre as histórias de quem encontrou em Campo Grande a oportunidade de reconstruir a própria vida está a do venezuelano Alexander Beroes. Ele chegou à Capital em 2022 acompanhado da esposa e das filhas, fugindo da crise econômica e social que afetava seu país de origem.

Na Venezuela, Alexander era professor universitário, mas enfrentava dificuldades para garantir condições dignas de vida para a família. Ao chegar a Campo Grande, encontrou apoio por meio da rede de assistência social do município, que auxiliou a família nos primeiros passos de adaptação à nova realidade.

O início foi marcado por desafios. Para sustentar a família, Alexander realizou trabalhos temporários e diárias enquanto buscava estabilidade financeira. Com o suporte dos serviços oferecidos pela Prefeitura e muito esforço, conseguiu se estabelecer, conquistar uma moradia e construir uma nova trajetória na cidade.

Alexandre atualmente após reconstruir a vida em Campo Grande (Arquivo Pessoal)

“Não foi fácil eu chegar até aqui, mas com certeza eu não troco Campo Grande por nada. Aqui temos segurança, qualidade de vida e empregos dignos. Fomos muito bem recebidos pela cidade”, relata.

Hoje, já integrado à comunidade, ele vê na Capital o lugar onde a família encontrou oportunidades para recomeçar e planejar o futuro. A história de Alexander reflete a realidade de muitos migrantes que chegam ao município em busca de proteção, acolhimento e melhores condições de vida.

Educação garante inclusão e respeito à diversidade

Entre os primeiros passos para a integração das famílias está o acesso à educação. Atualmente, a Rede Municipal de Ensino (Reme) atende 672 estudantes venezuelanos, sendo 617 matriculados no ensino fundamental e 55 na educação infantil.

O acolhimento começa ainda no processo de matrícula, quando equipes da Divisão de Políticas Específicas de Educação realizam uma escuta individualizada para compreender a trajetória escolar do estudante e sua realidade familiar.

Quando necessário, os alunos passam por avaliação diagnóstica para garantir o ingresso na etapa de ensino mais adequada ao seu desenvolvimento. A prioridade é matricular a criança ou adolescente na unidade escolar mais próxima de sua residência ou da instituição de acolhimento onde está hospedado temporariamente.

Além da matrícula, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) desenvolve acompanhamento contínuo junto às escolas, orientando professores e equipes pedagógicas sobre práticas inclusivas e interculturais.

Um dos principais focos é o trabalho com o Português como Língua de Acolhimento (PLAc), metodologia que auxilia estudantes estrangeiros a desenvolverem a comunicação em português sem perder o vínculo com sua língua materna e identidade cultural.

Nas salas de aula, materiais adaptados, atividades lúdicas, projetos interdisciplinares, rodas de conversa e ações de valorização da diversidade ajudam a fortalecer o sentimento de pertencimento e a integração entre estudantes brasileiros e migrantes.

Trabalho e qualificação como caminhos para a autonomia

A inserção no mercado de trabalho também é uma das prioridades da rede municipal. Por meio da Fundação Social do Trabalho (Funsat), os migrantes recebem encaminhamentos para vagas de emprego, qualificação profissional e cursos que auxiliam no processo de adaptação à cidade.

Uma das iniciativas em andamento é o curso gratuito de Língua Portuguesa para estrangeiros, realizado em parceria com a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). Com carga horária de 60 horas, a capacitação foi desenvolvida para atender estudantes com diferentes níveis de conhecimento do idioma e contribuir para a integração social e profissional dos participantes.

As aulas normalmente acontecem no período noturno, permitindo a participação de trabalhadores que buscam aperfeiçoar a comunicação e ampliar as oportunidades de emprego.

Moradia também integra a rede de proteção

O acesso à habitação é outro aspecto contemplado pelas políticas municipais. Por meio da Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Emha), migrantes e refugiados podem participar dos programas habitacionais do município, desde que atendam aos critérios estabelecidos, como comprovação de residência em Campo Grande há pelo menos dois anos e situação documental regular.

Além disso, cinco imigrantes já foram beneficiados em caráter emergencial pelo Programa Recomeçar Moradia, que oferece auxílio para custeio temporário de aluguel a famílias em situação de vulnerabilidade. Atualmente, essas pessoas já não fazem parte do programa, tendo conquistado novas condições de autonomia.

Rede integrada garante acesso a direitos

A política municipal de atendimento aos migrantes envolve diversas áreas da administração pública, incluindo assistência social, saúde, educação, trabalho, habitação e direitos humanos. A articulação é coordenada pelo Comitê Interinstitucional Municipal para Políticas Públicas para Migrantes Internacionais e Refugiados, criado pela Lei Municipal nº 7.271/2024.

A proposta é assegurar que cada família receba atendimento integral, considerando suas necessidades específicas e fortalecendo a construção de novos projetos de vida.

Ao investir em acolhimento humanizado, acesso à educação, qualificação profissional, moradia e garantia de direitos, Campo Grande reafirma seu compromisso com a inclusão e demonstra que a solidariedade e o respeito à diversidade fazem parte da identidade da cidade.

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