Com a elevação das temperaturas e a aproximação do verão, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), através da Gerência de Vigilância Ambiental (GVAM), alerta para o aumento na presença de pombos na Capital. A intensificação do fluxo turístico e o aumento na produção e descarte de resíduos característicos desta época do ano criam um ambiente propício para a concentração das aves nos espaços urbanos.
“Com o verão, a oferta de comida aumenta consideravelmente, de forma direta e indireta, devido à demanda turística e ao acúmulo de lixo. É nesse período que verificamos a maior quantidade de pombos e o aumento nas denúncias por parte da população. As maiores concentrações ocorrem em locais com grande movimentação de pessoas e estrutura de edifícios, como toda a Orla de João Pessoa e de Cabedelo, nas proximidades dos mercados públicos e no Centro da cidade”, explica Fabrício de Souza Silva, técnico da Gerência de Vigilância Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde.
A principal preocupação da Gerência de Vigilância Ambiental diz respeito às infecções transmitidas pela inalação da poeira das fezes secas das aves, pelo contato com olhos e pele ou pela contaminação acidental de água e alimentos. Entre as patologias mais graves estão a criptococose, uma infecção fúngica respiratória que pode evoluir para meningite e provoca sintomas como tosse, falta de ar, febre, dor de cabeça intensa, rigidez na nuca e tontura e a histoplasmose, também causada por fungos presentes nos dejetos secos, gerando tosse seca, febre alta, calafrios, dores no corpo e desconforto no peito semelhante a uma pneumonia. Além delas, a ingestão acidental de água ou comida contaminada pode transmitir a toxoplasmose, cujos sinais de alerta incluem febre, dores musculares, ínguas no pescoço e alterações na visão, enquanto o contato direto da poeira contaminada com a pele e mucosas oculares pode causar alergias, irritações cutâneas e conjuntivite.
Como medida preventiva, a Vigilância Ambiental orienta que, ao realizar a limpeza de locais com acúmulo de dejetos, como varandas, calhas, forros e caixas de ar-condicionado, a população jamais varra a seco, evitando que a poeira contaminada suba e seja inalada. O procedimento correto consiste em borrifar água ou solução desinfetante, a exemplo de água sanitária diluída, para umedecer totalmente a área antes de fazer a remoção, além de utilizar sempre luvas e máscara de proteção respiratória. Caso o morador apresente qualquer um dos sintomas após ter contato com locais infestados, a recomendação é procurar imediatamente a Unidade de Saúde da Família (USF) mais próxima.
Pessoas com imunidade baixa, idosos e crianças apresentam riscos maiores de complicações e devem ter atenção redobrada. A recomendação da GVAM é evitar a formação de ninhos e a fixação prolongada das aves em locais de convivência diária, como residências e ambientes de trabalho. A equipe técnica reforça que o risco à saúde não está no encontro eventual com a ave na rua, mas sim na convivência contínua com locais onde há acúmulo constante de fezes.
“A melhor forma de evitar ninhos em locais como calhas, telhados, forros e caixas de ar-condicionado é trabalhar os quatro ‘As’, que consistem em eliminar alimento, água, abrigo e acesso. Quando privamos os animais dessas ofertas e utilizamos barreiras de bloqueio físico, as aves acabam migrando para outros locais”, destaca Fabrício de Souza Silva.
A GVAM lembra que capturar, envenenar ou matar pombos é proibido por lei, configurando crime ambiental amparado pelo artigo 29 da Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), que protege espécimes da fauna silvestre, nativa ou em rota migratória, regra extensiva aos pombos urbanos.
Diante de denúncias ou identificação de infestações em imóveis públicos, privados ou abandonados, a Gerência de Vigilância Ambiental de João Pessoa atua prestando orientações e realizando visitas técnicas para implementar medidas educativas e corretivas. Os cidadãos podem solicitar apoio, tirar dúvidas ou registrar ocorrências pelo aplicativo Prefeitura na Palma da Mão ou pelos telefones de atendimento (83) 3213-7781 e (83) 3213-7782.