Cerca de 700 mulheres morrem todos os dias no mundo por complicações ligadas à gravidez e ao parto, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). No Brasil, a maioria dessas mortes poderia ser evitada. Diante desse cenário, especialistas se reuniram nesta quinta-feira (26), em Campo Grande, para discutir estratégias de enfrentamento à mortalidade materna, infantil e fetal em Mato Grosso do Sul.
A 1ª Reunião Ampliada 2026 foi promovida pelo Comitê Municipal de Prevenção da Mortalidade Materna, Infantil e Fetal e reuniu profissionais de diferentes áreas para analisar dados recentes e propor medidas práticas para reduzir os índices.
Entre os temas debatidos estiveram o papel do Comitê na qualificação da atenção à saúde, apresentado pelo coordenador do Serviço de Estatísticas Vitais (Sevital/Sesau), Bruno Holsback Uesato; o panorama da mortalidade materna e infantil em Campo Grande em 2025, detalhado pelo presidente do Comitê, Paulo Saburo Ito; e a atuação do Núcleo de Apoio Especial à Saúde (NAES) nos municípios do Estado, detalhada pela coordenadora Daniela Cristina Guiotti.
Os números preocupam. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 92% das mortes maternas e infantis são evitáveis. No Brasil e em Mato Grosso do Sul, as principais causas de morte materna continuam sendo pré-eclâmpsia (pressão alta), hemorragia e infecção. Entre os bebês, predominam a prematuridade, complicações relacionadas a doenças maternas como hipertensão e diabetes mellitus, além de sepse.
De acordo com os dados analisados pelo Comitê, fatores como dificuldade no planejamento reprodutivo, início tardio do pré-natal e baixa adesão às consultas ainda estão entre os principais determinantes dos óbitos. A avaliação caso a caso, feita pelo grupo técnico, serve de base para orientar gestores na adoção de políticas públicas e ajustes na rede de atendimento.
Em Campo Grande, alguns indicadores já apontam avanço na prevenção de riscos materno-infantis. Em 2025, o município registrou a menor taxa de gravidez na adolescência dos últimos dez anos: 9,58% dos nascidos vivos foram de mães entre 10 e 19 anos, percentual abaixo das médias estadual e nacional. O resultado é associado à ampliação do acesso a métodos contraceptivos de longa duração, ao fortalecimento da Atenção Primária e à qualificação do pré-natal na rede municipal de Saúde — medidas que dialogam diretamente com as estratégias discutidas pelo Comitê para reduzir desfechos evitáveis.
Criado em 2001, o Comitê é uma estratégia incentivada pela OMS e pelo Ministério da Saúde para qualificar a assistência obstétrica e infantil. A proposta é transformar estatísticas em ação concreta. “Nossa meta é reduzir mortes evitáveis e garantir que mais mães e bebês tenham um início de vida seguro e saudável em Mato Grosso do Sul”, afirmou o médico ginecologista e obstetra Paulo Saburo Ito, presidente do Comitê.