101 milhões de brasileiros usam cartão de crédito e modalidade lidera endividamento, alerta Banco Central
O uso do cartão de crédito segue crescendo no Brasil e já alcança um patamar expressivo: cerca de 101 milhões de pessoas utilizam essa forma de pagamento no país. O dado foi divulgado pelo presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, e acende um alerta importante sobre o avanço do endividamento das famílias brasileiras.
Segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o número representa quase metade da população do país, que gira em torno de 213 milhões de habitantes. O crescimento do uso do crédito, especialmente em modalidades mais caras, tem sido um dos principais fatores por trás do aumento das dívidas.
Cartão de crédito lidera o endividamento
De acordo com Galípolo, o cartão de crédito — principalmente na modalidade rotativa — é hoje um dos maiores responsáveis pelo endividamento da população. Isso acontece porque muitos brasileiros passaram a utilizar o crédito não apenas em situações emergenciais, mas como complemento da renda mensal.
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Esse comportamento preocupa o Banco Central, já que o crédito rotativo possui juros extremamente elevados, chegando a cerca de 425% ao ano, o que o torna uma das linhas mais caras do mercado financeiro.
Além disso, o estoque dessa modalidade cresceu significativamente. Em apenas 12 meses, o volume avançou mais de 30%, atingindo aproximadamente R$ 84,8 bilhões, indicando uma dependência crescente desse tipo de crédito.
Uso recorrente do crédito preocupa autoridades
Durante sua fala, Galípolo destacou que o principal desafio é criar alternativas mais sustentáveis para o consumidor. Segundo ele, muitas pessoas acabam recorrendo ao cartão de crédito de forma contínua, o que gera um ciclo de endividamento difícil de controlar.
O presidente do BC também alertou que medidas como limitar juros podem ter efeitos colaterais, como a redução da oferta de crédito. Por isso, o debate dentro da instituição busca encontrar um equilíbrio que permita acesso ao crédito sem comprometer ainda mais a saúde financeira das famílias.
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Lula demonstra preocupação com dívidas
O cenário também tem gerado preocupação no governo federal. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou recentemente a necessidade de criar soluções para ajudar a população a lidar com as dívidas.
A ideia, segundo ele, não é impedir o consumo, mas facilitar o pagamento dos débitos já existentes, evitando que milhões de brasileiros permaneçam presos a juros elevados e comprometam ainda mais sua renda.
Inflação e crises impulsionaram o endividamento
Outro fator apontado pelo Banco Central para o aumento do endividamento foi a sequência de choques econômicos recentes. Entre eles estão:
- A pandemia de Covid-19
- A guerra na Ucrânia
- Tensões comerciais internacionais
- Conflitos no Oriente Médio
Esses eventos impactaram diretamente a inflação e elevaram o custo de vida. Mesmo com medidas para controlar os preços, o efeito acumulado ainda pesa no bolso do consumidor.
Na prática, isso significa que itens básicos, como alimentos e serviços essenciais, ficaram mais caros, pressionando o orçamento das famílias. Como consequência, muitos brasileiros recorreram ao crédito para manter o padrão de consumo.
Desafio é encontrar crédito mais saudável
Diante desse cenário, o Banco Central reforça a importância de utilizar linhas de crédito mais adequadas ao perfil de renda. O uso do rotativo do cartão, segundo Galípolo, deve ser evitado ao máximo devido ao seu custo elevado.
A discussão agora gira em torno da criação de soluções mais equilibradas, que permitam ao consumidor acessar crédito de forma consciente e sustentável, sem cair em um ciclo de dívidas.
O crescimento expressivo do número de usuários de cartão de crédito mostra a força dessa ferramenta no dia a dia do brasileiro, mas também evidencia a necessidade urgente de educação financeira e melhores condições de acesso ao crédito no país.
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