A cidade do Rio dá mais um passo para fortalecer o turismo internacional na cidade, após bater recorde de 2,1 milhões de visitantes estrangeiros em 2025. A GOL Linhas Aéreas anunciou nesta sexta-feira (6/3), que vai transformar o Aeroporto Internacional do Galeão em seu hub internacional e ampliar sua malha para Estados Unidos e Europa, além dos destinos já operados para América Latina. O anúncio foi feito em evento com a presença do presidente Lula, do prefeito Eduardo Paes, do vice-prefeito Eduardo Cavaliere e dos CEOs da ABRA, Adrian Neuhauser, e da GOL, Celso Ferrer.
O Programa Municipal de Fomento a Novas Rotas Aéreas Internacionais, do qual a GOL foi vencedora, viabiliza a criação da rota direta entre o Galeão (GIG) e o Aeroporto JFK, em Nova York, com três voos semanais a partir de julho de 2026. Com a incorporação de aeronaves widebody à sua frota, a GOL também prevê a abertura de novas rotas intercontinentais a partir do Rio.
O presidente Lula falou sobre a importância do aeroporto do Galeão como uma das principais portas de entrada do país.
– Queria agradecer a GOL pela disposição de reinventar, junto com Eduardo Paes, o aeroporto do Galeão como porta de entrada e de saída de milhões de pessoas que querem viajar para o Brasil e do Brasil para o mundo. Eu vim muitas vezes a esse aeroporto. Era um deserto. Eu discuti várias vezes a possibilidade de recuperar isso aqui até que o Eduardo veio me procurar e dizer que precisávamos recuperar o aeroporto do Galeão para o Brasil e para o mundo -, declarou.
O Programa Municipal de Fomento a Novas Rotas Aéreas Internacionais, que concede apoio técnico e institucional e incentivos financeiros ao setor, é fruto de iniciativas da Prefeitura do Rio que visam consolidar a recuperação do aeroporto do Galeão e impulsionar o turismo na cidade. Com a criação e a ampliação de rotas e frequências de voos internacionais destinados à cidade do Rio de Janeiro, a Prefeitura espera aumentar a geração de emprego do impacto econômico e social.
– Esse aeroporto praticamente fechou. Quando a gente chegou, era um deserto. Depois que a concessão foi feita, a economia sofreu uma crise, mas essa crise por si só não justificava o nível de abandono. Aconteceu uma série de impactos negativos para uma cidade com as características do Rio de Janeiro, para aquilo que o Rio pretende ser –, lembrou o prefeito Eduardo Paes, destacando as mudanças que vieram a seguir:
– Mas isso mudou. E os números mostram que esse aeroporto bateu recordes de passageiros ao longo do ano passado. E a gente está aqui hoje celebrando uma coisa muito importante. A Gol foi a empresa que mais foi parceira nesse processo desde o início. E hoje, a Gol anuncia o seu hub internacional a partir do aeroporto do Galeão -, destacou.
A GOL tem um plano de investimento expressivo na cidade do Rio de Janeiro, totalizando aproximadamente US$ 1,2 bilhão em ativos – são mais de 30 rotas domésticas e internacionais a partir da cidade.
– Graças ao trabalho de todos os nossos acionistas, a gente está trazendo aviões de longo alcance. Anunciamos essa manhã cinco aviões Airbus A330-900, para reforçar esse hub. Chegamos a 100 aviões da GOL por dia no Galeão, e, por isso, agora instalamos esse hub. Tenho o prazer de anunciar que a Gol vai voar para Nova York aqui do Galeão, com voo direto, a partir de julho. Vale lembrar que 85% do crescimento da Gol foi no Rio de Janeiro. Também vamos anunciar mais voos para a Europa. Os primeiros serão Lisboa e Paris também do Galeão. E é só o começo. Vamos trazer turistas estrangeiros para visitar o Brasil com tudo o que o Rio tem para oferecer -, afirma Celso Ferrer, CEO da GOL.
Importância do Galeão para o turismo e para a economia do Rio
O fortalecimento do setor aeroportuário é apontado como estratégico para o desenvolvimento econômico e a competitividade da cidade do Rio de Janeiro como destino global. Em 2025, a cidade bateu recorde com 2,1 milhões de turistas internacionais, com impacto direto na economia de serviços, que representa cerca de 84% do PIB municipal. Além disso, em todo o ano passado, turistas nacionais e internacionais movimentaram R$ 24,5 bilhões, a Prefeitura.
Estudos da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (SMDE) indicam que um Galeão consolidado como hub internacional pode gerar expressivos ganhos econômicos no estado e no país – em 10 anos, aumentar o PIB do estado do Rio de Janeiro em R$ 50,6 bilhões e gerar 684 mil novos empregos. Esse crescimento também teria impacto no cenário nacional, adicionando 0,6% ao PIB do Brasil, no mesmo período.
O aeroporto já apresenta resultados concretos, como recorde de 5,7 milhões de passageiros internacionais e maior eficiência operacional. No cenário nacional, o Rio ampliou sua participação nas chegadas internacionais e registrou queda de tarifas mais acentuada que a média brasileira, reforçando ganhos de competitividade e conectividade.
Em 2025, o Rio de Janeiro registrou forte crescimento real na arrecadação de ISS ligada ao setor aeroportuário, alcançando R$ 69,4 milhões, alta de 25,3% sobre 2024 e de 68,4% em relação a 2023. O avanço foi impulsionado por atividades como logística, armazenagem, movimentação de mercadorias e serviços de apoio, além do aumento na movimentação de passageiros, que cresceu 21,7% frente a 2024 e 79,3% ante 2023.
Segundo a Prefeitura, os resultados refletem a política de coordenação entre os aeroportos, viabilizada pela articulação entre os governos municipal, estadual e federal, incluindo o limite de voos no Aeroporto Santos Dumont, medida adotada para reequilibrar as operações e fortalecer o Aeroporto Internacional do Galeão, após perdas significativas entre 2019 e 2022.
Números em destaque
O Rio passou de 28% para 35% das chegadas internacionais por via aérea no Brasil em 2025, enquanto São Paulo recuou de 54% para 44% — indicando uma reconfiguração do mapa de conectividade internacional do país. O Rio absorveu 43% de todo o crescimento do turismo internacional aéreo do Brasil em 2025
O SMA-Rio movimentou cerca de 24 milhões de passageiros e 103,5 mil toneladas de cargas em 2025. Cada nova rota internacional representa não apenas um fluxo adicional de visitantes, mas a redução de tarifas pela maior competição.
A queda de tarifas internacionais com origem no Rio (-39,5%) foi significativamente mais acentuada do que a média nacional (-23,6%), sugerindo ganho