Educação e arte têm caminhado cada vez mais juntas na Rede Municipal de Ensino de João Pessoa. E essa união vem produzindo resultados que ultrapassam os limites da cidade. O curta-metragem escolar “Irmão Negro”, produzido pela Escola Municipal Presidente João Pessoa, conquistou mais um reconhecimento nacional ao alcançar o 1º lugar na categoria ‘Melhor Ator’ do Curta 5 – Festival Estudantil de Curtas, realizado em Vitória da Conquista, na Bahia.
O destaque da premiação foi o estudante José Murillo do Nascimento Sales, atualmente aluno da Escola Municipal Zulmira de Novais, reconhecido por sua atuação no filme. Para o jovem de apenas 11 anos, a conquista representa uma lembrança que será levada para toda a vida.
“Ficar em primeiro lugar como ator foi uma alegria muito grande para mim e uma conquista que vou guardar para sempre. Quero agradecer a Deus e também aos professores por toda a ajuda, a paciência e o apoio durante esse projeto. Essa conquista é muito especial para mim e para todos que fizeram parte desse projeto. Obrigado a todos que acreditaram em mim e me ajudaram nessa jornada”, declarou.
Da leitura para as telas – A história do curta começou dentro da escola, a partir do Projeto Ler Mais, coordenado pela professora e pedagoga Ana Cristina Miranda. O trabalho tinha como ponto de partida o incentivo à leitura e a utilização dos livros da biblioteca como instrumentos para desenvolver a imaginação, a oralidade, a escrita, a escuta e o protagonismo dos estudantes.
Foi nesse processo que os alunos tiveram contato com “Irmão Negro”, obra de Walcyr Carrasco que aborda questões como preconceito racial, respeito às diferenças, inclusão e amizade. A professora conta que a leitura acabou ultrapassando as páginas do livro e ganhando uma nova linguagem.
“O que começou como uma experiência pedagógica de leitura se transformou em um curta-metragem, construído com dedicação, sensibilidade, parceria e, acima de tudo, com o envolvimento dos nossos estudantes. Por trás de cada prêmio, existe uma história muito maior. Existe uma criança que descobriu sua capacidade, uma escola que acreditou no potencial dos seus alunos, professores que caminharam juntos e uma prática pedagógica que mostrou que a Educação pode transformar vidas”, destacou Ana Cristina.
Cinema como ferramenta de aprendizagem – A produção também contou com a participação dos professores William Bezerra, de Inglês, e Francisco Pedro, de Artes, que atuaram como idealizadores do projeto ao lado de Ana Cristina. Coordenador do Clube de Cinema Ferris, William Bezerra trabalha há nove anos com cinema e educação e ficou responsável pela parte técnica da produção, orientando os estudantes sobre o uso de câmera, claquete, captação de som e edição.
“Foi interessante ver os alunos se verem como atores, protagonistas de suas histórias, e mais bonito ainda foi se ver na tela do cinema. Ficamos muito felizes por Murilo, que é um aluno muito dedicado. Quem sabe, com essa premiação, ele não queira seguir o caminho das artes? A vida escolar é sobre isso, é sobre criar pontes e não muros. As crianças deste país merecem o melhor”, relatou William.
Uma trajetória de conquistas – O reconhecimento no Curta 5 soma-se a outras premiações conquistadas pelo curta-metragem “Irmão Negro”. No FestAruanda 2025, a produção conquistou o 1º lugar na Sessão Especial Escola Pública. O filme também alcançou o 3º lugar na categoria Audiovisual do Feart – Festival Estudantil de Artes, realizado em João Pessoa.
Agora, com o prêmio de Melhor Ator no Curta 5, a produção amplia sua trajetória de reconhecimento e evidencia o potencial da educação pública como espaço de criação, expressão artística e descoberta de talentos.
Francisco Pedro, professor de Artes da Escola Presidente João Pessoa, é o responsável pela parte de interpretação dos alunos e por toda a organização cênica necessária para a realização das cenas do curta-metragem. A partir do texto desenvolvido no projeto da professora Ana Cristina, ele iniciou um processo de preparação com os estudantes, trabalhando a leitura e a compreensão do texto, a interpretação das falas, a expressão corporal e a construção dos personagens.
“Foi um processo muito importante, pois buscamos preparar os alunos para que pudessem desenvolver uma interpretação clara e coerente com a proposta do curta-metragem. Cada cena foi trabalhada de forma cuidadosa, procurando fazer com que os estudantes se sentissem envolvidos com a história e compreendessem o papel que estavam desempenhando na produção. Essa experiência foi incrível e muito significativa para mim, pois foi a primeira vez que participei diretamente de um trabalho voltado para a produção de um curta-metragem”, evidenciou.
Sobre o filme – “Irmão Negro” é uma adaptação da obra de Walcyr Carrasco, produzida por estudantes da Escola Municipal Presidente João Pessoa. O curta-metragem conta a história de Badu, uma criança negra recém-chegada a uma escola e que passa a enfrentar a rejeição de alguns colegas por causa da sua cor. A partir da amizade construída com um dos estudantes, Badu encontra novas possibilidades de convivência e transforma sua percepção sobre a escola e sobre o significado da amizade.