Indicadores mostram avanço da Atenção Primária de Campo Grande – CGNotícias

“É um trabalho diário, muitas vezes feito em silêncio, e que precisa ser mostrado para a população. Temos que dar transparência ao que está sendo feito na rede.” A afirmação do secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, reforça uma das diretrizes da Convergência APS 2026: transformar o trabalho desenvolvido diariamente pelas equipes da Atenção Primária em resultados acompanhados, registrados e compartilhados.

Os dados apresentados nesta quinta-feira (20), durante o evento realizado no auditório da UFMS, mostram evolução no desempenho no primeiro quadrimestre de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025. O número de equipes classificadas como regulares caiu de 61 para 28, enquanto 69 alcançaram a classificação ótima e outras 55 ficaram no nível bom. Os resultados são acompanhados a partir dos registros no PEC/e-SUS e integram a análise dos indicadores de boas práticas avaliados pelo Ministério da Saúde.

O encontro reuniu profissionais, gestores, gerentes e representantes das unidades para analisar os resultados, compartilhar experiências e definir estratégias de melhoria para os territórios.

Segundo a superintendente da Rede de Atenção Primária à Saúde da Sesau, Ana Paula Resende, a evolução dos indicadores demonstra o trabalho desenvolvido pelas equipes e reforça a importância do acompanhamento dos resultados.

“No primeiro quadrimestre de 2026, comparando com 2025, a gente observa a evolução das equipes. Das 227 equipes de saúde da família avaliadas, 218 estão em nível bom. O nosso objetivo este ano é que 100% das equipes estejam classificadas como boa ou ótima”, afirmou.

Durante o painel estratégico, Ana Paula também destacou três prioridades que deverão concentrar esforços da Atenção Primária: gestação, desenvolvimento infantil e prevenção oncológica.

Com o tema “Territórios que Ensinam, Serviços que Transformam: inovação e aprendizagem na Atenção Primária à Saúde”, a Convergência APS 2026 aproximou gestão, assistência e ensino por meio da análise de indicadores, apresentação de boas práticas e construção participativa de planos de intervenção. A proposta é transformar os resultados observados nos territórios em ações concretas de qualificação da assistência.

Para o diretor da Escola Pública de Saúde da Sesau, Júlio Ricardo França, a iniciativa aproxima conhecimento, serviço e realidade da população.

“A proposta é transformar as unidades de saúde em espaços permanentes de aprendizagem e inovação, utilizando informações concretas do cotidiano para orientar decisões e qualificar o atendimento oferecido às pessoas”, destacou.

A programação utilizou uma metodologia inspirada no Design Thinking, com etapas de análise, definição de problemas, ideação, planejamento e implementação. Entre as atividades estiveram painel estratégico, apresentação de boas práticas, laboratórios de território, oficina de planejamento e pactuação de compromissos.

Da experiência à prática

Um dos eixos do encontro foi a valorização das experiências desenvolvidas pelas próprias equipes. Na “Mesa de Inspiração”, gerentes e representantes de unidades que já integraram o Projeto Qualifica APS apresentaram experiências a partir de quatro questões: qual problema era enfrentado, o que foi feito, qual resultado foi alcançado e o que foi aprendido. A proposta também foi discutir como essas práticas podem ser adaptadas a outros territórios.

Para a coordenadora-geral do Projeto Qualifica APS, da Fiocruz, Dinaci Ranzi, a parceria construída ao longo dos anos contribui para a continuidade da qualificação.

“Não tenho dúvida de que com o apoio que temos recebido […] nós podemos caminhar para continuar contribuindo para a qualificação da atenção primária na nossa capital”, afirmou.

O projeto também utiliza a residência em saúde como estratégia de educação permanente e transformação das práticas assistenciais. Atualmente, está presente nas USFs Paulo Coelho Machado e Los Angeles, no Anhanduizinho; Moreninhas, no Bandeira; Noroeste, no Centro-Prosa; Serradinho, no Imbirussu; Coophavila e Santa Emília, no Lagoa; e Jardim Presidente, no Segredo. O projeto também já passou pelas unidades Parque do Sol, Tiradentes, Itamaracá, Batistão, Oliveira e Vida Nova.

A iniciativa busca fortalecer a residência como estratégia de inovação, educação permanente e transformação das práticas assistenciais, integrando ensino, serviço, gestão e comunidade.

Durante os laboratórios de território, os participantes fizeram ainda uma autoanálise da carta de serviços das unidades e utilizaram uma matriz de inteligência colaborativa para identificar o que deve ser mantido, recuperado, criado ou retomado.

Planejamento

A partir dos compromissos pactuados, cada unidade terá responsáveis, prazos e indicadores para acompanhar a execução das propostas. O cronograma prevê mentoria nas unidades em setembro, avaliação intermediária em outubro, monitoramento em novembro e avaliação dos resultados em dezembro.

A proposta é que a Convergência APS 2026 seja o ponto de partida para um ciclo contínuo de acompanhamento dos indicadores e aperfeiçoamento das práticas, conectando o planejamento às necessidades de cada território.

“Pretendemos deixar como legado não apenas um evento, mas uma agenda contínua de monitoramento, aprendizagem e melhoria da Atenção Primária, aproximando a gestão das necessidades reais de cada território e, principalmente, da população que utiliza diariamente os serviços de saúde”, concluiu o secretário Marcelo Vilela.

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