Projeto apoiado pela Inova-IFSP dá origem a livro sobre a uva de Palmeira D’Oeste – IFSP

Pesquisa percorreu etapas de diagnóstico, aprovação e divulgação científica e reúne subsídios para uma futura Indicação Geográfica

Um projeto desenvolvido no Instituto Federal de São Paulo (IFSP), com apoio da Agência de Inovação e Transferência de Tecnologia (Inova-IFSP), deu origem ao livro Palmeira D’Oeste: onde a uva tem história, sabor e identidade. A publicação será lançada no sábado, 12 de setembro, das 14h às 17h, no Espaço Sebrae, durante a 34ª Feira da Uva de Palmeira D’Oeste.

De autoria do professor de Geografia Alessandro Lemos de Oliveira, atualmente em exercício no Campus São José do Rio Preto, a obra reúne resultados do projeto “Diagnóstico de potencial de IG para a uva de Palmeira D’Oeste”, desenvolvido durante a atuação do docente no Campus Votuporanga.

Alessandro atuou em Votuporanga, entre 2019 e 2026, por meio de projeto institucional entre o Instituto Federal do Tocantins (IFTO) e o IFSP. Nesse período, foi responsável pela submissão da proposta ao Edital nº 495/2023 da Inova-IFSP, voltado à elaboração de projetos de Indicação Geográfica (IG).

O próprio livro registra sua origem no projeto contemplado pelo edital e apresenta como objetivo da pesquisa o levantamento de dados sobre a história da produção de uvas em Palmeira D’Oeste e seu potencial para uma Indicação Geográfica de Procedência.

Uma demanda do território chega ao IFSP

A pesquisa surgiu a partir de uma demanda que já vinha sendo discutida pelo Sebrae de Votuporanga com produtores da região. Segundo Alessandro, entre 2021 e 2022 começaram as conversas sobre a possibilidade de buscar uma Indicação Geográfica para a produção de uvas. Em 2023, o Sebrae procurou o IFSP para estabelecer uma parceria voltada a ações de esclarecimento sobre o instrumento e seus possíveis benefícios.

Por conhecer a história da produção de uvas no Noroeste Paulista, Alessandro passou a integrar a iniciativa e submeteu o projeto ao Edital nº 495/2023 da Inova-IFSP.

A proposta teve como objetivo levantar o histórico do desenvolvimento do cultivo da uva em Palmeira D’Oeste e seu entorno, sua importância para a economia local e os elementos relacionados à possibilidade de pleitear uma Indicação Geográfica de Procedência.

O apoio da Inova-IFSP também envolveu orientação e formação para o desenvolvimento das atividades. Durante a preparação do projeto, Alessandro participou do curso de Indicações Geográficas e Marcas Coletivas, ofertado pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), e de atividade sobre a trajetória da IG Parmigiano Reggiano promovida pelo IFSP.

“A Inova-IFSP desempenhou um trabalho muito importante, desde as orientações sobre a demanda a ser atendida junto ao Sebrae e aos produtores até as orientações e capacitações dentro do campo de estudos da IG, uma vez que essa era uma área nova para mim”, explica Alessandro.

Do diagnóstico ao livro

A publicação é resultado de uma trajetória que passou por diferentes etapas de pesquisa, sistematização e divulgação do conhecimento produzido pelo projeto.

Entre outubro e novembro de 2023, foram realizadas ações de sensibilização e reuniões com lideranças e produtores para apresentar o conceito de Indicação Geográfica e verificar o interesse em buscar uma Indicação de Procedência para a uva. Entre novembro de 2023 e fevereiro de 2024, o projeto concentrou-se no resgate histórico da cultura da uva, no levantamento de dados e em pesquisas complementares.

O trabalho resultou na elaboração de um inventário da uva de Palmeira D’Oeste, reunindo e sistematizando informações históricas, produtivas e territoriais necessárias ao avanço das discussões sobre uma futura IG. O Relatório Final do Projeto foi elaborado entre março e abril de 2024 e, posteriormente, aprovado pela Inova-IFSP.

O relatório forneceu material para a produção de Palmeira D’Oeste: onde a uva tem história, sabor e identidade. O livro amplia o alcance das informações reunidas durante o projeto ao organizar em uma publicação a trajetória da viticultura regional, dados sobre a produção e elementos que poderão subsidiar as próximas etapas do processo de uma possível Indicação Geográfica.

Antes da publicação da obra, os resultados da pesquisa também chegaram ao meio científico. Em 2025, o trabalho sobre o potencial da uva de Palmeira D’Oeste para uma Indicação Geográfica foi apresentado em congresso, ampliando a divulgação do conhecimento produzido a partir do projeto.

Pesquisa recupera a história da viticultura regional

A construção do diagnóstico envolveu pesquisa documental, levantamento de dados e diálogo com produtores e instituições. Participaram desse processo, de diferentes formas, a Embrapa de Jales, as Casas da Agricultura (CATI) de Palmeira D’Oeste e Jales, o Sebrae de Votuporanga, a Associação dos Produtores Rurais de Palmeira D’Oeste e Região, a Cooperativa Agropecuária de Palmeira D’Oeste (COOAPALM), a Cooperativa Agrícola Sul Brasil Ltda e o Jornal de Jales.

A pesquisa recuperou mais de três décadas de produção de uvas na região e reuniu informações sobre famílias ligadas ao início da atividade, o surgimento das associações, a produção nos anos 1990, a criação da Festa da Uva — atualmente Feira da Uva — e a organização da cooperativa.

Também foram sistematizados dados sobre a produção atual. Informações reunidas na obra mostram que as uvas de Palmeira D’Oeste são comercializadas em diferentes estados brasileiros. Em 2023, considerando os 20 viticultores associados à COOAPALM abrangidos pelo levantamento, as receitas registradas com safra, safrinha e vendas para a merenda escolar totalizaram R$ 2.827.779,10.

Conhecimento para os próximos passos da IG

Além de registrar a memória da viticultura regional, o trabalho realizado pelo IFSP poderá subsidiar etapas futuras relacionadas à possível solicitação de uma Indicação Geográfica de Procedência.

O estudo propõe uma delimitação territorial formada por Palmeira D’Oeste, Marinópolis e São Francisco, municípios que mantêm relação histórica com o desenvolvimento da viticultura na região.

“Este material vai servir de base para os próximos passos no caminho da obtenção de uma IG de Procedência para a uva de nossa região, uma vez que, para a obtenção junto ao INPI, a comprovação histórica é um dos elementos mais importantes”, afirma Alessandro.

A Indicação Geográfica é utilizada para identificar produtos ou serviços vinculados a determinado território. Entre os possíveis efeitos associados ao reconhecimento estão a abertura de mercados, a padronização e melhoria dos produtos, a valorização do patrimônio cultural, o desenvolvimento rural e o estímulo ao turismo. A pesquisa ressalta que os benefícios não se restringem a um eventual aumento no preço do produto.

Para Alessandro, os resultados concretos para os produtores dependerão também da continuidade do trabalho após uma eventual conquista da IG. “A mudança concreta na vida dos produtores, uma vez conquistada a IG, dependerá muito da forma como será conduzido o processo de orientações e acompanhamento junto aos produtores de uva”, avalia.

Novas etapas poderão envolver a COOAPALM, o Sebrae, o IFSP e outras instituições parceiras, dando continuidade ao processo iniciado com o diagnóstico.

Pesquisa retorna ao território

O lançamento durante a 34ª Feira da Uva aproxima o resultado da pesquisa do território onde o projeto foi desenvolvido. A publicação reúne informações históricas, registros, dados sobre a produção e elementos relacionados à possível Indicação Geográfica.

O livro registra ainda a contribuição de viticultores, ex-viticultores, jornalistas e servidores de diferentes instituições para a reconstrução da trajetória da viticultura no Noroeste Paulista.

Assim, a trajetória iniciada a partir de uma demanda regional e apoiada institucionalmente pela Inova-IFSP passa pela pesquisa, pela sistematização e aprovação dos resultados, pela divulgação científica e chega à publicação de uma obra que devolve à comunidade parte do conhecimento produzido sobre sua própria história.

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