Projeto paralímpico gratuito promove inclusão na Capital – CGNotícias

Campo Grande oferece um projeto gratuito de esporte paralímpico para pessoas com deficiência, com cerca de 80 participantes, em dois polos da Capital, com treinos semanais de paratletismo e futebol PC, voltados ao desenvolvimento esportivo, inclusão social e melhoria da qualidade de vida.

A iniciativa funciona em dois locais. No Parque Ayrton Senna, os treinos de paratletismo acontecem de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 10h30. Já no Rádio Clube Campo, são realizados os treinos de futebol PC às terças e quintas-feiras, no mesmo horário. A participação é gratuita e aberta para pessoas com deficiência a partir dos 12 anos.

O projeto atende pessoas com deficiência física, visual, intelectual, entre outras. Para participar, basta procurar a equipe técnica nos locais de treino, onde são feitas as inscrições, anamnese e encaminhamentos para as atividades.

A coordenadora do Núcleo Paralímpico, Yara Yule, destaca os resultados alcançados. “Temos muito orgulho do trabalho desenvolvido, porque hoje contamos com atletas de destaque nacional no paradesporto, medalhistas e beneficiados com bolsas federal e estadual. No futebol PC, por exemplo, atualmente temos cinco atletas convocados para a seleção brasileira. Campo Grande sempre foi referência na modalidade e segue sendo um grande celeiro de talentos para o país”, destacou.

O professor Daniel Sena, que atua há sete anos no projeto, explica que o trabalho vai além do rendimento esportivo. “Trabalhamos desde a iniciação esportiva até o alto rendimento, fomentando a modalidade dentro do paratletismo da Funesp. Atendemos todos os grupos: corrida, salto, arremessos, lançamentos e também a Petra, tricicleta utilizada por atletas com paralisia cerebral”, contou.

“O objetivo do projeto é atender a pessoa com deficiência, independentemente dela chegar ao alto rendimento ou não. Mesmo assim, temos revelado diversos atletas e nos tornado referência. Hoje contamos com atletas que participam de competições de alto nível. O Gonzaga, da Petra, é atualmente o sétimo melhor atleta do mundo e o terceiro do Brasil. A Hávilla integra a seleção brasileira e temos, ao todo, cinco atletas convocados para a seleção paralímpica”, ressaltou.

Entre os atletas revelados está Bruno Alves, de 16 anos, da modalidade de baixa visão. “Comecei no atletismo aos 12 anos, no período pós-pandemia. O professor Sena me descobriu na escola, viu que eu corria bem e me convidou para participar do projeto da Funesp. O esporte deixou de ser apenas uma questão de saúde e passou a ser uma forma de viver.

Antes do paratletismo eu tinha dificuldades na escola, não era valorizado e sofria humilhações por causa da deficiência. Em 2023 disputei meu primeiro Campeonato Brasileiro e fiquei em segundo lugar. Desde 2024 todas as minhas medalhas têm sido de primeiro lugar. Em 2025 fui pré-convocado para o Parapan-Americanos no Chile, onde representei o Brasil e a Funesp e conquistei medalha nos 100 metros. Hoje faço parte da seleção brasileira, mas sinto que meu lugar é nesse projeto da Funesp. Não largo daqui por nada”, declarou.

O atleta Audrey Gonzaga, de 22 anos, conheceu a modalidade Petra em 2022 e relata mudanças na vida. “Para mim foi um divisor de águas. Foi onde me encontrei e me apaixonei pela modalidade. Hoje sigo firme em busca do lugar mais alto do pódio e também motivando outras pessoas a entrarem no esporte. Antes eu era desacreditado e não tinha muitos planos. Agora tenho mais autonomia, confiança e objetivos. O esporte é a minha vida e meu sonho é chegar aos Jogos Paralímpicos. Esse projeto da Prefeitura é um grande incentivo e tem extrema importância para todos nós”, disse.

A atleta Hávilla Vitória Soares, de 20 anos, da classe T12, também relata transformação pessoal. “Estou há cinco anos no projeto e o esporte transformou minha vida. Antes eu era tímida, muito triste e me sentia sozinha. Hoje convivemos com mais pessoas, criamos vínculos e conseguimos enxergar a nossa capacidade. Muitas vezes, por causa da deficiência, acabamos nos diminuindo e acreditando que não conseguimos. O esporte traz força, potência e mostra que somos capazes”, destacou.

O projeto reforça o compromisso com a inclusão social, o acesso gratuito ao esporte e a valorização de atletas que representam Campo Grande em competições nacionais e internacionais.

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